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Como nunca argumentar com uma mulher (Vol. I) Março 31, 2008

Posted by joão carlos santos in Main Road.
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Por muito, que se goste de uma mulher. Por muito ou pouco tempo que se viva com ela. Por muito bem que se pense conhece-la. Existem sempre aqueles dias em que as coisas correm mal. È inevitável. Existirá sempre uma altura em que os pontos de vista opostos se encontram. Especialmente em certas alturas do mês. Como diria um falecido tio meu, existem coisas que só acontecem a segunda-feira. Nas relações existem períodos do mês em que só determinadas coisas acontecem. Nem com enormes barras de chocolate se evita o inevitável. Mas não se iludam. Não tem de ser necessariamente nesses momentos predestinados. Existem sempre enormes hipóteses de que uma conversação primitivamente amigável possa se converter uma penosa altercação. Portanto, este facto é um dado adquirido. Não vale a pena lutar contra ele. A única hipótese é aprender a viver com ele. Da melhor maneira possível. Aqui vão alguns conselhos sobre como nunca conduzir as discussões com uma mulher nessas ou noutras alturas. Na verdade, em qualquer altura.

1. Nunca mas nunca, pense em importar novos problemas para a discussão

Lembras-te quando te apanhei a tomar cafezinho com aquele teu colega de trabalho? Pois é, eu não me esqueci daquilo!

Agora imagine que esta a discutir sobre o facto de ela não gostar de alguma amiga sua e do facto de estar sempre a receber telefonemas da dita. Você acha que este cheio de razão, porque ela é realmente somente sua amiga. Sente-se o senhor da razão. Até porque tem razão. Aproveita a exaltação da razão e, manda-lhe aquela história que tinha embuchado, na carinha dela. Puro engano. Arruinou-se. Aquela molesta frase dita na impetuosidade da sua razão acabou de o encalacrar completamente. A partir daquele momento, a discussão passou para o campo preferido dela. Sabe o que acabou de fazer? Não sabe pois não. Claro que não. Senão nunca teria tido a ideia estupida de invocar algo completamente diferente para a discussão. Lembra-se da frase “ lenha para se queimar”. Aqui está o local onde aplicar a frase. A lenha saiu da sua boca e o queimado é você. Com aquele simples comentário, você acabou de expandir a discussão para mais questões do que aquelas que você vai conseguir resolver. E prepare-se, porque vai perder a discussão. A sua capacidade imaginativa para acontecimentos hipotéticos será sempre muito inferior a dela. Vai ficar sempre muito aquém. E devo avisar, que ainda vai ser acusado de estar a desviar a conversa por querer fugir á sua culpa mais que evidente. A partir daquele momento a sua amiga passa definitivamente a uma cabra desavergonhada. E você, a um Dom Juan com impulsos de mentiroso compulsivo. E se a conversa se estender demasiado, de repente todas as suas amigas passam a ser umas badalhocas de umas meretrizes e, você o dono do bordel. E de quem é a culpa? Somente sua. Armou-se em espertinho com a mania que tinha a razão do seu lado. Esqueça isso de quem é que tem razão. Esta coisa mesquinha da razão não deve ser invocada quando discute com uma mulher. A sua lógica ou a sua verdade não é para aqui chamada. Não é saudável. Para si, claro. Só terá a perder. Porque mesmo que cheguem a um consenso sobre o problema inicial, vão deixar outros em aberto. Ora isto, somente vai prolongar o problema inicial e possivelmente gerar novas discussões. Lembre-se que o seu objectivo é só terminar com aquela discussão. Os homens não estão talhados para discussões prolongadas sobre factores abstractos. Fique focado. Restrinja-se ao essencial do problema. Não saia nunca desse perímetro de segurança. Se ela começar a levantar novos tópicos, oponha-se firmemente. Não tropece nessa ratoeira. Elas usam esse artifício, quando antevêem muito antes de nós, que não tem nenhuma razão. Portanto, deixe bem claro que o objectivo da discussão é apenas é só aquele problema determinado. Tudo o resto deve ser deixado de fora. Para outro dia. E acredite, ela vai buscar o assunto noutro dia. Por isso, viva um dia e uma discussão de cada vez.

2. Nunca se arme em varina e desate a proferir ofensas pessoais

Sua cabra comodista! Eu vi logo que com uma mãe daquelas e com um pai bêbado não podias sair grande coisa! 

 Lembre-se que ser varina é uma arte. A menos que distinga o cachucho do salmonete e descenda de uma longa linhagem de pescadores, nunca tente imitar uma varina. Os insultos somente tem algum charme típico quando provenientes da boca de uma varina, por volta das seis da manha, no Mercado da Ribeira. Se não domina a arte não a empregue. Pense bem. A camisa que ela se esqueceu de engomar não justifica a sua transformação num animal boçal. È normal que quando uma discussão começa a escaldar o sangue siga a mesma elevação de temperatura. Eu reconheço isso. A partir de certa altura, a nervosismo começa a conquistar terreno e cada um já só quer ganhar a discussão. Ambos começam a ficar eruditos em Maquiavel, e a primeira frase que vos ocorre é que os fins justificam os meios. Você consegue de repente, naquela simples frase, o cúmulo da síntese. Ofender a própria e toda sua família. A partir desse instante, os ataques pessoais, são a única alternativa aparentemente viável pela outra parte. Você, de repente, já não conhece o outro. Quem passa a estar á sua frente é o seu maior adversário. Neste momento ambos retiram as luvas e as regras de civilização ocidental são obliteradas. Quando você decide romper a fronteira da boa educação, automaticamente dá ao outro o direito de agir como bem entender.   Dai a sair um elucidativo “Vai levar no cú” geralmente escoltado do substantivo “ meu cabrão de merda” é um ápice. Tudo, sempre rematado pelo sempre prosaico “ filho de uma grande puta” .  Se fizer isto vai-se arrepender para sempre. A discussão será com certeza das mais céleres que poderá ter. Cinco a dez minutos de malevolência pura. Mas algumas dessas ofensas podem perdurar perpetuamente. Por isso, o meu conselho é elementar. Não seja asinino e muito menos uma cavalgadura. È fácil, não é. Mesmo que não ganhe a discussão, ataque sempre o comportamento e não a pessoa em si. Se ela é imatura foque-se na questão do auto-controle. As palavras “ estúpida” e “ puta de criança” não vão acelerar o seu processo de amadurecimento e ainda vão desequilibrar mais o seu já fraco auto-controle. Se ela é insegura vise procurar discutir as causas e elogie os seus pontos fortes. Ao pronunciar “ louca de merda” ou “ merda de ciumenta” não a vão ajudar a ultrapassar o problema. Se ela o traiu, vá-se embora com dignidade e esqueça isso. As palavras “puta” , vaca” e todos os seus derivados não o vão a ajudar deixar de se sentir corno. Saia com alguma dignidade e parta para outra relação. E podíamos estar aqui a enunciar milhares de outros exemplos. Mas você já percebeu o essencial. A regra é simples, afaste do âmbito qualquer referência pessoal ao sujeito envolvido (ela) do verdadeiro comportamento que originou a discussão. Mesmo que ela o provoque muito nunca se deixe levar pelo impulso. Quando lhe parecer que acabou de ouvir um indício particularmente estulto ou insultuoso, respire bem fundo. Cale-se. Pense bem antes de responder. Quando o fizer tenha a certeza absoluta de que está com a lucidez completa antes de esboçar uma resposta. Mergulhe a cabeça em água fria. Entale o dedo de propósito. Dê um pontapé numa pedra. Pode também tentar queimar os cabelos do braço com um fósforo. Tudo para lhe fazer baixar a temperatura do sangue. Uma dorzinha no corpo ajuda sempre a desviar o focus da agressão verbal. Em ultimo caso, pura e simplesmente ignore e continue o seu raciocínio. O insulto nunca vale a pena. Nunca. Muito menos, se por acaso, gostar dela. 

3. Nunca se esqueça que não trabalha para o Ministério Público

È como eu te digo! A culpa é tua, sim senhora! Só tua! Toda tua!

 Não e por mero acaso que um magistrado do Ministério Público demora tantos anos a formar-se. Não é uma tarefa simples de se conquistar. E você por vezes pensa que em cinco minutos  consegue incorporar um  advogado de acusação e juiz, simultaneamente. De o dia para a noite, você passa a representar todo o sistema de justiça dentro de sua casa. È claro, que estou a falar do famoso jogo do apontar o dedo e dizer “ Foste tu”. È claro, que você pode argumentar que já todos o fizemos. Como é óbvio, tem razão. Todos os fizemos. O problema é que o fizemos quando tínhamos cinco e seis anos. Este argumento na verdade, de todos os que possa pensar em  usar, é o mais infantil e arrogante. E nem sequer serve de nada numa discussão com uma mulher. Em primeiro lugar, porque nenhuma mulher vai assumir a culpa só porque você diz que sim. Em segundo, lugar porque já é uma argumento de defesa clássico. Todas elas já o conhecem e são inclusive muito melhores do que nós a utilizar o mesmo. Este método de argumentação defensivo é fácil de entender. Você adopta um argumento qualquer como esteio de alegação e coloca toda a culpa pelo sucedido, nela ou num terceiro personagem. O muito famoso, bode expiatório. Vamos a um exemplo clássico. Ela incrimina-o pelo facto de chegar a casa tardíssimo e num estado deplorável após uma sexta-feira a noite. O que é que você faz geralmente? Ora bem, os mais atrevidos, começam logo a acusa-la de a culpa de ele chegar tarde e ébrio residir no facto de ela nunca querer sair consigo. A lógica da refutação é simples, se ela saísse consigo isto nunca aconteceria! È uma clara apelação ao instinto maternal da mulher. A maioria pensa que isto resulta. Os menos astutos colocam sempre a culpa num terceiro personagem que geralmente só eles conhecem. Normalmente, a culpa é sempre do Antunes. Que é aquele tipo do departamento de contabilidade, que se separou recentemente, e cuja sua companhia e essencial para o ajudar a ultrapassar esta fase difícil. O Antunes, geralmente, serve sempre para tudo. Até para ser responsabilizado pela cuequinha de fio dental vermelha, que ela acidentalmente encontrou, pendurada no espelho retrovisor do seu automóvel. A ideia deste estratagema é que a discussão passe a girar em torno de quem é o culpado (ela ou o Antunes) e que a razão principal (lingerie vermelha)  se evapore o mais rápidamente possível. Ora bem, isto não resulta. Ponham isto na cabeça, elas não são burras. De nenhuma forma ou sentido. Desta maneira, nunca vai ganhar nenhuma discussão com ela. E já agora evite também ser agarrado nesta estratégia. Sim, porque elas também sabem usar este subterfúgio. Mas o grande problema desta linha de argumentação, é que a partir da altura em que se usa, nunca mais ninguém pode vir a reconhecer a sua lacuna ou defeito. Sob pena, de ser alvitrado de mentiroso, o que daria azo a uma outra discussão paralela. Por consequência, a discussão nunca tem um término. Perpetua-se. Nunca ninguém cede na sua posição. Nem em maior ou menor medida. O problema é que por cada dedo que você apontar ela vai-lhe aguçar três dedinhos no seu nariz. O meu conselho é muito simples. Mais uma vez. O melhor será sempre reconhecer as suas faltas em primeiro lugar. Somente, depois deste hara-kiri (腹切り, e que deve mencionar as atitudes dela que o incomodaram. Primeiro, vem sempre a fustigação, pessoal e pública. Não tenha problemas e ceda primeiro. È a única maneira a de o caminho ficar aberto para o dialogo. Seja inteligente e transforme uma discussão num dialogo. Mesmo que seja sobre a teoria da gravidade aplicada as cuequinhas vermelhas de fio dental. Além de que, é preciso ser muito homem, para confiar na sua própria argumentação lógica sem ter de recorrer a técnicas manhosas de advocacia barata e duvidosa. Macho que é macho, não tem medo de usar a lógica argumentativa.

 4. Nunca se esqueça de reduzir as suas doses de esteróides anabolizantes 

Mas tu sabes com quem é que estas a falar? Aqui ninguém fala mais alto do que eu, estás a ouvir! Ainda levas um par de galhetas, que vais ver!  

Este conselho destina-se apenas aos poucos espécimes da raça de Neanderthal que ocupam lugar no espectro masculino. Por isso, esta parte do texto será bastante simples e directa. Não vamos complicar que é para todos eles perceberem. Primeiro conselho, vamos mas é a meter esses esteróides pelo rabinho acima. Pode ser que sejam melhor que um clister. Isso provoca um enfezamento do vosso órgão genital e acessos de fúria descontrolada. Vamos lá a parar com essa merda. Não existe nada pior do aqueles tipos supostamente valentões que se põem a levantar a voz e a ameaçar uma mulher. Socos na mesa e bater a porta como uns animais, não faz de vocês nenhum super-homem. Compreenderam tudo até aqui? Se for preciso tome um calmante. Pode também tentar dar com a cabeça na parede até desmaiar. Isso vai ajudar a controlar a sua fúria constante. Se o seu objectivo é elevar o nível de conversa para pior de modo a que acabe tudo na bordoada, ponha-se a discutir com um pitbull. Não seja um cobarde de merda. Até porque ao gesticular demais, falar alto demais e aproximar-se demasiado da cara dela, a mensagem é de ataque. E na confusão, você pode levar um belo direito no nariz antes mesmo de perceber o que aconteceu. Seu pateta andante. O que seria muito bem feito. Por isso vamos mas é a controlar o tom de voz e a colocar as mãozinhas nos bolsos, mesmo que ela fale mais alto do que você. Percebeu tudo seu monte de excremento. Por sim e por não, é melhor ler novamente o paragrafo. 

 5. Nunca emite um miúdo que perdeu o último rebuçado  

Podes falar a vontade que nem te estou a ouvir! Adeusinho….  

Abandonar o local onde se desenrola uma discussão nunca é boa ideia. Não pense que vai sair por cima. Nem sequer imagine que assim põem termo a discussão. Pode ter a certeza que ela vai atrás de si para fazer valer os seus pontos de vista. Desta forma você transmite a ideia de que está intimidado. Ou que se sente culpado e não tem argumentos. Ou pior ainda,  demonstra que tem uma personalidade com perfil belicoso e controlador: Do género, que não aceita raciocínios fundamentados de terceiros. Qualquer que seja o prisma de análise irá sempre demonstrar falta de controlo e maturidade. Ora, não existe nada mais irritante que um miúdo mimado. Não vale a pena chuchar no dedo e bater com o pé. Não vai resultar. Por isso, vamos mas é a tentar ser um homenzinho. Não vale a pena ter medo de manter a sua posição e os seus argumentos. Se ela não concordar, nunca faça birra. Pense num espelho e agora olhe para a sua figura. Ridículo, não é? Diga lá, que se estivesse do outro lado, não dava um par de chapadas a si próprio. Não existe nada mais irritante do que uma birra, especialmente no meio de uma discussão. Guarde lá as birras e as fitas para os jogos de futebol com os seus amigos. Esse é o lugar apropriado. Quanto discutir com ela não seja intransigente ou irracional. Mesmo que não seja por natureza, procure ser a voz da razão. Seja esperto e presenteie a oportunidade para encerrar ou confinar a contenda. Assim vai ampliar a sua reputação como um homem sensato. Um homem capaz de lidar com problemas sem usar golpes baixos. Portanto, o oposto de um puto mimado. E se ela lhe virar as costas derrotada por tanta maturidade, não hesite. Passe-lhe a sua mão no rabinho dela. Será que existe melhor maneira de concluir uma discussão? Duvido.  

Por favor, siga este manual a risca. Cada vez que tropeçar numa destas regras esta a dar uma machada em si próprio nos seus colegas do sexo masculino. Porque? Em primeiro lugar, porque é você que a vai perder. E de uma forma bem rápida. Em segundo lugar, porque aquele que de entre todos nós que vier a seguir, é que vai apanhar com todos os traumas provenientes  do que de mal você fez. Não é facil.  E lembre-se, em algum ponto da sua vida você há-de ser aquele que vem a seguir. Be affraid….

Music : INXS ” Devil Inside”