È uma menina , outra vez! Novembro 30, 2007
Posted by joão carlos santos in Road Stories.1 comment so far
Começo por vos apresentar a Paula. A Paula é a minha irmã. Mais ou menos. Nem é meia-irmã é apenas uma irmã do coração. E o apenas aqui é muito relativo. È uma pessoa extremamente importante na minha vida. Eu diria que imprescindível. E não é preciso estar sempre presente. Basta saber que ela existe. E como a minha sombra, nem sempre dou por ela mas é indispensável para revelar a minha existência.
A Paula deu á luz a cerca de três anos, a Marta. A Marta é a minha afilhada. È a minha princesa. Mas não foi bem assim o meu sentimento no primeiro encontro com a Marta. Na verdade, para quem não tem filhos, a ideia de uma criança sair abruptamente do interior da barriga de alguém faz-nos sempre impressão. Ainda me lembro do aspecto da minha irmã no dia seguinte ao parto. Um horror, parecia que tinha sido possuída. È claro que eu menti com todos os dentes que tinha na boca. Disse que ela estava mais linda do que nunca e com muito bom aspecto. Uma mentira branca, não faz mal a ninguém. Mas é claro, que fiquei a espera de ver a pequena responsável por aquele estado crítico. Naturalmente, está-se sempre a espera de ver o anticristo em versão miniatura.
E depois, vem todos os problemas inerentes, a todos aqueles a quem uma irmã os decide brindar com uma criancinha. A inevitável pergunta, “ È mesmo parecida comigo, não é mano?”. E nós olhamos para aqueles pequenos olhos inquisidores naquela cabeça pelada e pensamos – “Parecida com quem? Mas que diabo, parece igual ao bebe aqui do lado”. Mas as pessoas ajudam-mos – “ …repara nos olhos e no nariz é igualzinho ao meu. E quando se ri a boca é tal e qual a minha”. Tive que responder – “Pois é muito parecida contigo. Nem sabia que os recém nascidos já se riam”. Mas de repente olhei para a cara do pai, Jorge de seu nome, e tive que rectificar. “Mas também tem muitas semelhanças com o Jorge.” – era o purgatório. Tinha que estar a agradar aos dois e não vi a mínima semelhança em nenhum deles. Mas temos que dar sempre o benefício da dúvida. Os pais que acabam de dar a luz não são pessoas racionais. São pais babados. E a baba num adulto, não é um sinal de racionalidade mas antes de uma doença neurológica. E nós temos obrigação de compreender isso.
A Marta cresceu e eu fui convidado para padrinho. Fiquei horrorizado e simultaneamente orgulhoso. Só me lembrava daquele diálogo do filme ABOUT A BOY, todas as conversas começam da mesma maneira, num filme ou na vida real:
- Já te apetece ter uma família própria, ou ainda não?
- Nem por isso. Estou bem assim.
- Por favor!!!!
- O que é que isso significa? Por favor o que?-
Olha para ti. Tens 38 anos e nunca tiveste um emprego ou uma relação que durasse mais de dois meses. Eu não diria que estas bem. Diria antes que estas um desastre. Quero dizer, qual é o objectivo da tua vida?
- Tens razão. Talvez não tenha um objectivo na vida, mas obrigado por falares nisso.
- Bom, mas o motivo pelo qual queríamos que viesses cá hoje, foi para te perguntarmos se gostarias de ser o padrinho da Imogene?
- A sério?
- Sério.
- Olhem, estou mesmo muito comovido, mas devem estar a brincar! Eu não poderia lembrar-me de um pior padrinho para ela. Sabem como sou. Vou deixa-la cair no baptizado. Esquecerei todos os aniversários ate ela ter 18 anos. Então, sairei com ela, embebedá-la-ei e, vejamos bem, talvez até tente ir para a cama com ela.
- (horrorizados)-
A sério é uma péssima escolha.
- Nós sabemos, mas julgamos que tivesses sentimentos ocultos…
- Não, sempre percebeste mal. Eu sou mesmo insensível.
A minha conversa teve algumas semelhanças mínimas, mas eu aceitei. E hoje sou padrinho de uma linda menina de três anos. Imaginem a responsabilidade. Uma criancinha de três anos e eu. Que par improvável e adorável. Até que, aqui há uns meses atrás, tive outra surpresa.
- Mano estou grávida!!!
- Outra vez???
- Que raio de reacção!!!!
- Desculpa, não te imaginei a passar por tudo outra vez. Aquela coisa de ficar possuída! Então vem aí mais uma criancinha?
- Sim.
- Impressionante, estás a ficar uma profissional do assunto! Nada te consegue parar…
- E, então, o que é que se diz???
- Muitos parabéns!!!
- È uma menina!
- Outra vez???
- Lá estas tu com o “outra vez”,. Estás parvo?
- Parabéns!!!- Para de dizer parabéns…
- Isto já te esta afectar os nervos outra vez…não é verdade?
- Eu estou perfeitamente controlada…
- As meninas causam mais divórcios, sabias?
- Já me estas irritar!
- É verdade! Mas deixa lá sempre podes estacionar o carro no lugar dos deficientes. Aos sábados e domingos da jeito…
- Já estou arrependida de te ter contado…
- Achas, portanto que eu não ia notar…
- Eu até estou mais magra…
- O sistema nervoso altera a visão…
- JORGE! ABRE A PORTA DO CARRO, QUE O JOÃO JÁ ME ESTA A IRRITAR…
- Como estás magrinha, não precisas que eu te empurre para o banco, pois não? Consegues-te enfiar ai???
Fiquei surpreendido, mas genuinamente satisfeito. Até porque eu sou a favor que as pessoas tenham filhos. Quanto mais melhor. Não querer ter filhos é de um egoísmo atroz. Devo avisar que sou um bocadinho egoísta. Não querer ter filhos, é só pensarmos em nós e esquecermos a humanidade em si. Ted Baxter tinha razão quando afirmava que os problemas são resolvidos por pessoas e, quanto mais pessoas houver, mais problemas são resolvidos.
A prosperidade aumenta com o desenvolvimento tecnológico, e este é constituído pelos indivíduos. As ideias vêm dos indivíduos. Quanto mais indivíduos mais ideias. Quanto mais ideias, mais prosperidade. Fácil, não é. Por outro lado, o crescimento populacional faz avançar o progresso tecnológico e este por seu lado faz avançar o crescimento económico. O crescimento económico faz avançar o crescimento populacional, porque o aumento da riqueza proporciona a hipótese de sustentar um maior número de crianças. O círculo fecha-se e perpetua-se. E preciso mais gente.
Segundo Kremer, um mundo com o dobro da população terá o dobro dos génios. Como os génios tem a tendência a inspirar-se uns aos outros, 2000 génios podem dar origem a mais do dobro de ideias do que 1000 génios poderiam fornecer. Isto tem outro factor positivo. Encoraja aqueles de nós com um talento mais vulgar, a explorar ao máximo as nossas capacidades. Um mundo com mais pessoas é um mundo com mais diversidade. Logo mais rico. Quando cheguei a casa da Paula, expus-lhe esta ideia:
- Isso é muito bonito! Mas os custos são meus. Não vais querer que eu tenha mais 5 filhos, pois não?
- Já faltou mais…
- Segundo o que estas dizer são, benéficos colaterais. Eu sofro como á porra para ter a criancinha e tu e que ficavas a ganhar.
- Eu? Porque eu?
- Tu só tens a parte boa de brincar com a Marta! No dia em que ela nasceu, o rendimento per capita da minha família desceu mais de um terço…
- Gosta de ir as compras como o padrinho…quem sai aos seus…
- Se não houvesse outras coisas boas para contrabalançar, este poderia ter sido o pior dia da minha vida financeira. Mas na verdade, foi o melhor!
- Realmente, se olharmos só para o prisma do teu rendimento, nesse caso, teria sido melhor nascer-te um porco ou uma galinha na tua quinta do que ter-te nascido a tua filha na CUF… (risos)
- Um porco???? Tu estas maluco…
- Pronto, pode ser uma bezerra! …(risos) …mas isso só demonstra que a concepção de uma criança e uma escolha dos pais e não um fruto do acaso! Por exemplo a sobrevivência de um maior número de bebés leva a uma diminuição do número de nascimentos. Tudo é racional! E tu também, por incrível que pareça, com essas hormonas descontroladas…
- Estás a chamar-me doida, seu parvo!
- Pelo contrário, acho-te bem racional! Todos os pais fazem cálculos de custo-beneficio, quer seja conscientemente ou inconscientemente!
- …(risos) …è verdade, o Jorge levou a máquina calculadora para a cama naquele dia….
- Daquelas que tem vibração…
- És mesmo estúpido…-
Não sou! Tu achaste que a Marta valia a despesa, ou seja, os benefícios eram maiores!
- O maior beneficio, foi eu estar os dois primeiros anos sem dormir….
- …(risos) …È noctívaga como eu! Eu fui a escolha acertada para padrinho…
- Certamente…que tenho grandes duvidas… (risos) …
- Não te queixes! O problema é quando vocês tomaram a decisão aparentemente racional, tiveram em conta a maior parte dos custos, mas apenas uma pequena parte dos benefícios.- Porque?- Os custos são mais fáceis de identificar porque se centram na própria família. As vantagens são muito mais difusas e difíceis de quantificar.
- E qual é a conclusão?
- È muito boa! È que apesar de tudo isso vocês decidiram conceber a Marta! E foi uma decisão conservadora, pois ponderaram mais os custos do que os benefícios. E tu particularmente ficas-te ainda mais prejudicada do que o Jorge!
- Porque?
- Uma economista que eu li recentemente, Amália Miller, afirmou que se uma mulher por volta dos 20 anos adiar o nascimento do primeiro filho por mais um ano, aumentara os seus rendimentos de toda a sua vida em cerca de 10%. Passa a ganhar um ordenado mais alto para o resto da sua vida em de 3%. E na verdade, a maternidade precoce não esta apenas relacionada com baixos salários como é a própria causa dos mesmos. Existe uma correlação e simultaneamente uma causalidade nos dois aspectos.
- Bem, na verdade, os tipos no colégio começaram-me a fazer a vida negra quando estive grávida da Marta. E agora com a Margarida, nem sei como vai ser. És capaz de ter razão.
- Como vês os custos são altos…
- E dai?
- Ò Paula, isto de fazer filhos é como a poluição, mas ao contrário!
- Portanto, eu e o Jorge andamos a poluir o ambiente e estas a comparar a tua afilhada a um pesticida…sinceramente…
- Não sejas tolinha! Não andas nada a poluir! Eu espero que recicles os preservativos! …(risos) … Repara bem, o proprietário de uma fábrica poluidora tem em consideração todos os benefícios (lucros) mas considera apenas uma parte dos custos. Está-se a lixar para a saúde dos vizinhos! E por isso tem uma produção excessiva. Pelo contrário, a maioria dos pais tem em consideração a totalidade dos custos mas considera apenas uma parte dos benefícios! Logo, existe uma concepção deficitária!
- Eu vi logo! Tu queres é ver toda a gente na cama…
- Na cama, mas a fazer alguma coisa! Já fizeste alguma coisa antes do pequeno-almoço?
- Ai que parvo….-
Hoje já estas deficitária…
- È o que me diz todas as semanas o meu gerente de conta…
- Ai o sacana! Olha que eu conto ao Jorge! Porra! Já nem se respeita uma grávida …que tarados…
- Ò estúpido! Alem disso, tu és meu irmão…tinhas que ficar calado se isso fosse verdade.
- Existe aquela coisa da irmandade masculina…não vai dar…
- Então como eu sou mulher, posso contar tudo o que tu me comunicas, a quem eu quiser…
Nesse momento, a Marta safou-se do enorme berço de madeira começou ao pontapé a uma parede! Eu também sempre odiei aquele bonequinho do Nemo naquela parede cor-de-rosa. Temos uma ligação espiritual muito forte! Safamo-nos um ao outro em situações de extrema aflição! E eu depois daquela tirada da Paula, precisava de um time out!
- Marta, o que é que estas a fazer?
- (guincho e pontapé continuo)
- Marta, vais ficar de castigo!
- (guincho mais alto)
- Já te disse que não vais subir para esse degrau e destruir o bonequinho do Nemo!
- Eu quero!
- (palmada no rabo)
- (guincho ensurdecedor e tentativa de fuga)
- Não me vais conseguir fugir! Não fazes o que queres! Vai já par o quarto!
- (vários pontapés na porta do quarto)
Eu estava estupefacto. Ora aqui estavam alguns dos custos. O que incluía uma nova pintura da parede, uma maçaneta para a porta e uma visita a um otorrino. A Marta veio-se acolher nos meus braços com uma lágrima a um canto olho e um olhar furibundo para a Paula.
- A culpa é tua! Ainda lhe estas dar mimos quando ela esta de castigo…
- …(murmúrio) …Eu ensinei-lhe estes movimentos para ela se defender dos outros putos…no jardim…
- Mas pensas que ela é a Lara Croft! Isto aqui em casa não é um cenário do Tomb Raider e ela não é um rapaz. Por isso, é que ela aqui há dias atirou com uma pedra a um miúdo que estava no escorrega…agora estou a perceber…
- Devia estar a querer passar á frente da Marta! Foi legítima defesa, claramente…
- NÂO …ela é que queria passar a frente do miúdo…
- Isso só demonstra uma personalidade empreendedora e competitiva… é até louvável…
Um novo ruído surgiu do quarto da Paula. Uma mistura de estilhaçar de vidro com um som abafado imperceptível. Olhei pela porta da sala e reparei numa imperceptível neblina de tom avermelhado que se espelhava pelo corredor, acompanhada por um cheiro doce de perfume. Olhei para a Paula. Manteve-se estática. Eu diria, controlada. Pareceu-me querer alhear-se daquele momento.
- De certeza, que mandou abaixo a prateleira com os meus perfumes e maquilhagem!
- È menina…é normal querer brincar com isso…
- O Jorge vai ficar possuído! Ainda há poucos meses fizemos obras e pinturas aqui em casa. Logo á noite já vai dar confusão…
- A culpa é tua! Tu só tens meninas…
- E que é que uma coisa tem a ver coma outra???
- Para quem quer manter um casamento estável a pior palavra que se pode ouvir numa sala de maternidade é “ Parabéns! È uma menina! “. Os rapazes segiram os casamentos enquanto as meninas acabam com eles!
- Em todos estes anos em que te conheço, essa é sem duvida a pior barbaridade que já te ouvi dizer!
- O Dahl e o Moretti afirmam que um casal com uma filha tem mais 5% de probabilidade de se divorciar do que um casal com um filho! Por exemplo, no Vietname, a percentagem sobe para 25%.
- PARVO! É a palavra que me ocorre…
- Repara bem. O sexo da criança fruto de um casamento é aleatório. As hipóteses de ocorrerem dificuldades financeiras, distância emocional e infidelidade são basicamente idênticas entre casais. O que sobra para explicara s diferenças nas taxas de divórcio é o sexo dos filhos.
- Tu vais tentar convencer-me disto…não vais?
- Claro que vou! Mas isto é mais complicado! Por exemplo, porque razão os progenitores com um estatuto social mais elevado tem mais filhos do que filhas?
- Deve ser, porque os filhos são do jardineiro… (risos) …
- Não comeces! A razão baseia-se no facto de, supostamente, filhos com estatuto social mais elevado poderem dar-lhes imensos netos. Ao contrario, as filhas na mesma categoria social vão lhes dar um numero médio de netos mais baixo.
- Eu sou pobrezinha…
- Nesse caso, se desejares mais netos tens que ter filhas! Rapazes com estatuto social mais baixo tem menos filhos enquanto as raparigas mantêm a media.
- Tu estás a brincar! Só pode! Então os meus óvulos identificam o meu estatuto social e o meu desejo de ter mais ou menos netos!!!!! Imagina que os meus óvulos eram marxistas…estava lixada…
- Paulinha, o corpo é um mecanismo racional. Alguns biólogos sugerem que o corpo de uma mulher grávida, ao decidir quanto vai investir na alimentação do embrião, leva em consideração o estatuto social e o sexo do embrião. Uma decisão biológica racional e puramente instintiva. Embriões mais bem alimentados têm mais hipóteses de sobreviver.
- De certeza que não reincarnaste ninguém do III Reich…
- Não! Não vou deixar crescer o bigode! Mas tu não acreditas que o processo involuntário de alimentar um embrião pode ser uma reacção a informações conscientes do exterior?
- Para dizer a verdade…NÂO!
- Nunca começaste a transpirar de medo?
- Sim…se bem que uma senhora nunca transpira
.- Ora ai está! È um processo involuntário provocado pela consciência face a informações exteriores. Porque é que o teu corpo iria ignorar informações relevantes quando esta a tomar um a decisão tão importante como seja a sobrevivência de um embrião???
- Já estou a começar a transpirar…
- Isso é da feijoada que comeste ao almoço no restaurante brasileiro! E devo já avisar-te, com antecedência, que os gases que possas estará pensar em soltar não são um processo involuntário…
- Que estúpido…
- Pois é! Mas na verdade, se os casais de classes sociais mais elevadas, que tiveram filhos do sexo masculino tem uma maior tendência para se manter casados …podemos ter aqui já uma explicação provável…
- Já me estas a provocar stress com essa conversa…e tu sabes que as grávidas não se podem enervar…
Decidi não lhe mencionar que a Marta estava alegremente a tentar enfiar o telemóvel dela dentro da máquina de lavar roupa. Na verdade, as grávidas têm sempre um sistema emocional muito frágil. Eu não queria despoletar uma crise súbita de ansiedade. O resultado ia ser mais uns gritos acompanhados de umas palmadas e tendo como resultado a total exaustão dos meus tímpanos.
- Tudo me causa stress…
- È por isso que tu só tens meninas…
- Ai, agora o stress manipula os meus cromossomas…
- Em muitas espécies animais, as populações com sinais de stress produzem um número invulgar de descendência do sexo feminino…
- Estás a comparar-me a uma coelha…
- Isto só reafirma a minha teoria. Raciocina comigo. Se o stress é uma causa de divórcio e do nascimento de mais meninas, então, talvez as meninas sejam uma causa de divórcio.
- Não acredito em nada disso…
- Então, vamos lá ver! As crianças afectam a decisão de divórcio dos progenitores, certo?
- Sim.
- Estatisticamente, aparentemente a descendência feminina dá azo a mais divórcios que a descendência masculina, certo?
- Vamos supor que sim
.- E porque?
- Eu sei lá! A teoria é tua….
- A teoria não é minha! Só estou a expor-te os factos. Em caso de divórcio, as crianças ficam geralmente com a mãe. Então, porque razão o pai é capaz de manter o casamento por causa do filho e não é capaz de faze-lo pela filha? Ou de outra maneira, porque é que as mães permanecem casadas para que o seu filho possa ter um pai, e não o fazem na mesma proporção estatística para que a sua filha possa ter um pai?
- Na minha opinião, porque esse pessoal que tira doutoramentos tem que inventar alguma coisa nova e põem-se para ai a descobrir factos estatísticos parvos…
- O Dahl e o Moretti acreditavam que os filhos seguravam os casamentos porque os progenitores têm preferência por rapazes. Mas achas que isto é verdade?
- Bom, na China é de certeza…
- Eu acho que os motivos são mais complicados. Por exemplo, mulheres divorciadas com filhas tem menores probabilidades de voltar a casar do que as divorciadas com descendência masculina. As filhas não só baixam as hipóteses de um segundo casamento como baixam igualmente as hipóteses de este poder ser bem sucedido.
- Mas talvez isso, apenas demonstre que as mães não querem expor a filha a um padrasto hipoteticamente predatório…
- Pode ser! Mas pensa naqueles casais que não são casados civilmente ou religiosamente e que estão a espera de um filho. As probabilidades de este casal efectuar um casamento oficial são mais elevadas se o resultado da ecografia demonstrar que o filho é do sexo masculino.
- Tens a certeza?
- Estatística! Mas há mais, os progenitores de meninas tem maior propensão para tentar ter outro filho do que os progenitores de rapazes. Eles tentam mais porque querem ter um rapaz! Os progenitores com filhos têm menos tendência para terem outro filho, de forma a não dividir a herança. E sobretudo evitam mais o divórcio, uma vez que é um processo dispendioso que anula e redistribui parte da riqueza acumulada. Na verdade, a riqueza, entre outros factores, confere aos rapazes mais vantagens na competição para encontrar a melhor parceira. E a teoria da juba do leão!
- Olha, a mim não me saiu nenhum desses! No máximo, fiquei com um leopardo…se bem que ele é peludo…
.- Não ser uma hiena, já não foi mau! …(risos) …Mas se já tinhas a Marta, porque é que tu tentaste outra vez?
- Estás maluco! Que raio de pergunta!
- Mas não ficamos por aqui! Nas agências de adopção existe uma procura maior de meninas!
- Então, mas isso contradiz a tua teoria …
- Pelo contrario! Os rapazes, geralmente, só são dados para adopção quando tem, um problema grave. As meninas são dadas para adopção apenas por serem meninas. Logo, quem quer adoptar uma criança saudável e inteligente, escolhe uma menina. As hipóteses médias de corresponder a esse requisitos são muito maiores.
- Conclusão das historia as meninas são mais inteligentes, certo?
- E causam mais divórcios. Mas fica tranquila, o mano conhece uns advogados amigos e bonzinhos…
- Importas-te de não agoirar….
- Estatística!
- Olha e se pusesses a estatística no….
-Olha, que a Marta entrou na sala….não digas asneiras.
A minha querida afilhada safa-me sempre. Menina linda e querida do padrinho.
Music : Fergie ” Big Girls dont Cry”



