Futebol de Ligas Setembro 16, 2007
Posted by joão carlos santos in Road Stories.1 comment so far
Estes têm sido dias de futebol. Estava na hora exacta. Portugal ia finalmente assegurar a qualificação para o bendito europeu. Polacos e Sérvios. Banalidades. Agora e que eles iam perceber porque é que nós ocupamos os últimos lugares europeus na área da educação. Era a vingança. Nós jogamos a bola. Quem é quer saber da matemática. A nossa equação nacional é redonda. A nossa geometria resume-se ao paralelogramo do campo associado ao Pi da uma lata de cerveja.
O famoso grupo da bola quadrada das quintas-feiras lá se deslocou ao Estádio da Luz. Azar, muito azar. Os polacos eram grandes e toscos mas empataram. A três minutos do final e a marreca do Ricardo em alinhamento geométrico com o poste lixaram a noite. Os conhecimentos geométricos dos polacos começavam a dar resultado. Mas a nossa geração não gosta do fado das vitórias morais e decidimos reforçar o grupo para assistir a humilhação Sérvia em Alvalade. Puro engano. Lá vieram novamente os três minutos e um fiscal de linha sem conhecimentos básicos de geometria. Fora de jogo esquecido e um estádio mudo em silencio de morte.
Olhei para o lado. A fila de lugares dos meus companheros de desilusão. O grupo estava estático. O Fernando olhava de forma vazia, talvez um pouco estrabica, para o campo. O Abílio espumava contidamente. No Nuno cresceu mais dez centímetros de indignação. O Chiquinho e o Vences admiravam calmamente o que pareciam já esperar. Havia mãos na cabeça. Um desespero contido em todos os outros. Como se existisse uma inevitabilidade cósmica em tudo aquilo.
Enquanto no campo um brasileiro que se diz seleccionador esmurrava um sérvio, um casal de namorados abandonava discretamente o campo. Separados. Sem sorrisos ou mãos entrelaçadas. Enquanto olhava o verde vazio da relva, pensava na semelhança entre o futebol e os relacionamentos. Qual é a hora de se envolver ou de tirar a sua equipa de campo? Será que todos jogam com amor á camisola? Pode dizer-se que todos dão o máximo e suam a camisola durante o jogo?
Parece-me pouco provável. Perdeu o controlo do jogo. Está encostado a defesa. Não consegue sequer fazer sequer um contra-ataque. Não quer namorar? Não quer sair com menos frequência? A sua perspectiva e a de somente se divertir? Então, mais vale curtir o momento, fazer umas fintas e tentar uns pontapés de bicicleta. Mas não entre em competições oficiais. Evite a humilhação.
A este propósito, ouvi á poucos dias num balneário de um qualquer pavilhão após um suado jogo de futsal entre amigos, algo que fez tirar algumas conclusões:
- Porra, pára com essa merda de raciocínio… estás muito ansioso. Deixa andar as coisas. Deixa-te de merdas…
- Epá, não consigo. Esta miúda está a deixar-me enervado. Estas tipas parecem que são da geração Ctrl+ Alt +Del. Já não sei o que elas querem. Querem só namorar? Querem só sexo? Querem apenas lixar-me a cabeça? Porra, assim não dá …
- Pois é meu caro. Está tudo a ficar muito diferente, não é?
- Epá, isto ficava tudo muito mais claro se elas jogassem com regras mais claras e se possível escritas. . . que era para não haver interpretações dúbias…
- Devia ser como no futebol! Imagina…
E enquanto tirava a camisola suada e olhava com desgosto para o duche de água fria que me esperava, pôs-me a imaginar. Dia de decisão de campeonato. Estádio repleto. As duas equipas entram em campo com uma vontade férrea de vitória. Treinaram duramente durante meses, ensaiaram todos os lances possíveis e imaginários. Estudaram atentamente o oponente. Fizeram jogos de preparação com adversários mais acessíveis. Mas na hora exacta do jogo, percebem que as regras não são claras – cada um tem as suas. Até mesmo porque neste jogo não existe arbitro, nem sequer um tempo determinado para a duração do mesmo. E ficam as duas equipas a olhar uma para a outra. Impasse . E lá se foi todo o esforço dos treinos….
Por tudo isto decidi fazer um conjunto simples de regras para todos aqueles que se prepararam até a exaustão e que agora não conseguem sequer dar um pontapé na bola.
Quem são os jogadores?
Comecemos pelo básico. Quem é que pode jogar? Quem são os jogadores? Cada equipa é teoricamente composta por um jogador. Teoricamente, porque estamos no nível básico, e por isso convêm não inventarem muito e jogarem só com um jogador. Quando dominarem as regras básicas, já podem mudar as estratégias e as tácticas. Igualmente a nível teórico a qualidade de género dos jogadores, costuma ser um homem e uma mulher. Mas aqui depende das armas com que costumam habitualmente jogar. Adaptem portanto esta regra as vossas habilidades técnicas. Os jogadores podem jogar no ataque, na defesa ou como guarda-redes. A título de exemplo, constata-se no meu grupo de amigos uma escassez atroz de pontas de lança. È um problema nacional. Temos um meio campo fabuloso de pessoal a distribuir jogo mas uma dificuldade em alguém que se chegue a frente para concretizar a abordagem ao golo. Temos no entanto, um ou dois extremos que cruzam muito bem a bola para a área de penalty. O problema é que o pessoal do meio campo tem de correr muito para chegar a tempo de cabecear. Temos alguns tímidos para a defesa, para aqueles fins-de-semana em que tudo corre mal. E como equipa corajosa que somos, jogamos sem guarda-redes, porque toda a gente se recusa a ficar a apanhar bolas. E não estamos a contratar. Quanto as substituições, estas até podem ser feitas com jogo a decorrer– mas este normalmente termina antes do tempo quando o jogador da outra equipa percebe a estratégia. Em jogos particulares e amistosos, no entanto, podem ser permitidas um número indeterminado de substituições. E o jogador substituído pode inclusive voltar ao campo durante a mesma partida.
Quais os lances que dão lugar a falta?
Uma falta dá-se quando um jogador comete uma das infracções abaixo descritas:
- Não telefona no dia seguinte (ele).
- Telefona no dia seguinte (ela).
- Diz que está apaixonada antes da hora (ela).
- Não diz porcaria nenhuma (ele).
- Troca o nome do jogador (ele/ela).
- Envia um SMS dizendo que esta com saudades (ela).
- Responde: “Vamos sair na semana que vem?” (ele)
- Envia um SMS dizendo que a noite foi óptima (ela).
- Responde: “Estas com sono?” (ele).
- Envia SMS demais (ela).
- Simplesmente não responde aos SMS. (ele)
- Começa a apoiar descaradamente outra equipa (ele/ela).
Existem muitas e muitas outras acções consideradas como falta que podem ser marcadas por livre directo (o jogador pode chutar a bola directamente para a baliza) ou livre indirecto (ele tem que tocar a bola para outro jogador), dependendo da natureza da infracção.
Faltas mais violentas, que de acordo com a regra do fair-play sejam típicas de uma conduta anti-desportiva [como, por exemplo, chegar sempre atrasado(a) ou estar sempre a falar do(a) ex.], devem ser punidas com um cartão amarelo, que pode vir na forma de um comportamento gélido e duas semanas sem sexo, de uma olhadela de lado, uma cara aborrecida ou de um directo e recto “Ouve lá, Estas a brincar comigo ou quê ? Não estou a gostar nada disto” – que costuma funcionar de forma eficaz, por sinal.
Se o jogador receber dois cartões amarelos na mesma partida, pode ou não ser expulso de campo (fica a critério da paciência do outro jogador), recebendo o cartão vermelho.
Quando se deve marcar um penalty?
O Penalty é um tipo de falta especial, que ocorre quando o jogador comete uma infração dentro de uma área de risco, ameaçando a vantagem do outro jogador. O penalty pode dar azo a amostragem de um cartão amarelo ou mesmo de um cartão vermelho directo. Portanto cuidado com estas faltas. Por vezes mais vale sofrer o golo e depois recuperar a desvantagem.
O penalty deve ser marcado quando um dos jogadores, por exemplo:
- apresenta a família (sogra é caso de expulsão) ainda no primeiro tempo do jogo. (ele/ela)
- Nas primeiras saídas chama o outro para fazer compras no shopping (ela).
- Nas noites de sábado chama para assistir futebol com os amigos (ele).
- vira-se para o lado e dorme quando marca golo logo aos dois minutos de jogo. (ele/ela)
Quando se marca um canto (corner)?
Como o nome indica, marca-se quando um jogador corneia o outro. Estes lances dão sempre origem a confusão dentro da pequena área o que pode envolver cabeçadas, bofetadas e caneladas. Portanto, negue sempre que foi o ultimo a tocar na bola.
Quando se marca um fora-de-jogo?
Fora-de-jogo nº 1: Sexo sem preservativo (imprudência). Se estiver completamente absorvido no jogo e o fiscal de linha estiver distraído, não pare. Mas atenção, que pode ser uma jogada fatal.
Fora-de-jogo nº 2: O preservativo estourar (sexo selvagem). Só acontece em jogos para discussão do título e quando se defronta grandes equipas. Na segunda divisão não existe este tipo de fora de jogo.
Fora-de-jogo nº 3: confiar somente na pílula do dia seguinte (brincar com o perigo). È o mesmo que confiar num arbitro que é sócio da equipa oponente. Pode dar origem ao caso” Clítoris Dourado” e você ficar detido por um tempo indeterminado.
Outros lances que levem a marcação de fora de jogo dependem meramente de regras previamente acordadas entre os dois jogadores, como, por exemplo, ser casado, desempregado ou drogado; cadastrado; ter uma pensão de alimentos a pagar; não usar desodorizantes ou lavar os dentes semanalmente; e mesmo tomar banho quando bem entender.
É devido a todos estes e outros casos, aliás, de contusão, falta de preparação física ou expulsão, que se deve contar sempre com um banco de suplentes de luxo.
O desporto faz bem a saude mas com regras. Vai um joguinho ?
Music: Kasabian “Club Foot”


