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Motel Rapidinha Setembro 30, 2007

Posted by joão carlos santos in Road Stories.
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Não há como negar. Em certas noites só existe uma palavra que nos vêm á cabeça. Uma palavra que devia ser com H, mas que na “hora H” todos se tornam analfabetos e a escrevem com M. M de Motel. Mas ninguém admite. Existe um preconceito generalizado em volta deste tipo de estabelecimentos. Os motéis têm aquela aura de lugares míticos onde, o factor sexo muitas vezes se torna um mero figurante, diante de tantos elementos luxuosos cercados sistematicamente por desconcertantes situações embaraçosas. As quais, note-se, nunca nos acontecem pessoalmente.

Quando se ouvem histórias acerca de situações passadas em motéis, a primeira condição que fica clara é que nenhuma história bizarra acontece com aquele que conta a historia. É sempre com a amiga da namorada, ou com uma ex-colega de trabalho do primo ou mesmo com o vizinho do nosso melhor amigo. O relator da historia nunca esta envolvido. Ele nunca foi sequer a um motel. E caso tenha ido, a historia relatada varia sempre em volta de uma adaptação das mil e uma noites misturada com uma versão extensa do Kama Sutra , compreendendo invariavelmente aquela loura ucraniana de um metro e oitenta ,  olhos verdes e lábios carnudos, que ninguém conhece. Mas que, o nosso amigo afirma que existe.

Esta história não foge a regra. Não fui eu que a vivenciei. Juro. Desenrolou-se em Florianópolis e envolveu um colega universitário de um primo de um grande amigo brasileiro.

Uma sexta-feira á noite em Florianópolis. Um ar quente e húmido. Noite agitada, como sempre, na cidade. Eduardo, profissional liberal, aguardava no hall do Blue Tree Towers Hotel, por Helena. Conheceram-se nessa mesma semana numa das suas palestras. Os cofee breaks têm este dilema. Estimulam a conversa. Fazem nascer o interesse. Aproximam o inalcançável. Ou não fosse o café, um estimulante invejável.

Ela apareceu subitamente no hall do Hotel. Era mais bonita do que ele se lembrava. Talvez fosse por já estar a anoitecer e ele ter-se esquecido das lentes de contacto no quarto. Melhor assim. A noite e a nébula da miopia fazem qualquer mulher linda.

- Olá. Como estás?

- Óptima. Ficas diferente sem o terno e a gravata. Gosto mais assim.

- Estamos cá para agradar. Ao seu dispor…

- Vê lá que eu posso aproveitar a disponibilidade…

- Disponível já eu estou desde as oito e meia…

- (risos) Eu atrasei-me um pouquinho. Sabes como é …tive que ir fazer a depilação, cabelo e unha. Coisas de mulher.

- O cabelo e as unhas ficaram bonitos. O resto só imaginando…

- Talvez não seja necessário tanta imaginação. Vamos jantar?

- Vamos a Hosteria Italiana. È só atravessar a rua.

O Eduardo jantava frequentemente na Hosteria depois de acabar as suas conferências. Era convenientemente perto do hotel. E com a Helena resolveu jogar em campo familiar. Não valia a pena arriscar. Ali ele conhecia os empregados, os vinhos e a ementa. Tratamento preferencial era sempre uma mais valia.

A conversa prolongou-se amenamente no meio do esparguete com alho caramelizado. A certa altura o Eduardo lembrou-se de algo aterrador. “ Porra, estou a comer alho. Vou ficar com um hálito lindo. È que sou estúpido.” – pensou enquanto olhava para o esparguete com gambas na mesa ao lado. Levou imediatamente a mão ao bolso das calças na tentativa de encontrar um pacote de pastilhas.” Merda , pastilhas de mentol. Hálito fresco ou pinto mole. Que escolhas de merda que um gajo tem de fazer.”- vociferou consigo próprio .Colocava novamente as pastilhas no bolso quando ela perguntou:

- Isso é pastilhas de mentol?

- Por acaso são. Nunca comprei disto. È a primeira vez. Nem sei ao que isto sabe. Foi um engano do tipo do café. Não percebo porque que é que ele pensou que as pastilha de morango se encontram dentro de caixas verdes enquanto que as pastilhas de menta se enfiavam em caixas vermelhas?

- Sabias que o mentol pode provocar impotência nos homens? Bem, isto só está provado cientificamente em animais, mas nunca se sabe…

- (tosse) Não fazia ideia. Mas se isto causa impotência devia haver preservativos de mentol…

- (risos) Que horror! Mais vale mau hálito do que um pinto mole…

- (riso forçado) Pois è! E que tal pedirmos a conta?

Eduardo pagou a conta e deixou a caixinha de pastilhas de mentol visivelmente exposta ao lado da gorjeta. Fingiu um esquecimento de forma a ela notar. Não vale a pena começar logo a noite com mau marketing.

- E agora? Estás com energia para sair na balada, Eduardo? Vamos azarar por ai?

- Vamos ao John Bull na Lagoa?

- Vamos, pode ser que te inspire. . . Bull !

- Isso dos bois terem um pénis enorme é um mito.

- È verdade! Já ouviste falar em bois a mascar pastilhas de mentol?

- È mentira. Isso é os cavalos…lusitanos. Eles é que são bem fornecidos.

- Deve ser por isso que o Citroen dois cavalos era o carro mais famoso na Europa…

- . . . . (risos)

Táxi para a lagoa. Muita bebida e muita gente. De seguida, outro táxi em direcção ao centro de Florianopolis. Próxima paragem El Divinus. Novamente, muita bebida e ainda mais gente. Na zona VIP da discoteca o Eduardo começou a enrolar-se com a Helena. Na verdade, pode ter sido ao contrário. De facto, ninguém se lembra destes pormenores. Mas foi a Helena quem começou a conversa:

- Como é? Vamos embora?

- Já? Agora que isto está ficar tão bom…GOSTOSA! (imitando sotaque brasileiro)

- A não ser que você me queira comer em cima do balcão com a ajuda do barman, eu sugiro irmos até um motel.

- A um motel? Mas o meu hotel DE CINCO ESTRELAS é já no fim da rua?

- Você acha que eu vou entrar com você no seu hotel as cinco da manhã e subir no seu quarto. Você acha que eu sou puta?

- Bem…mas onde fica o motel?

- Deixa comigo. Vamos no meu carro.

O Eduardo ficou pouco á vontade. Pela primeira vez na noite ia jogar fora de casa. Era a primeira vez que ia a um motel. Tinha medo de se sentir ridículo e de perder a tesão. Ainda se lembrava da história das pastilhas de mentol. Ficou com receio de toda aquela situação perder a espontaneidade. No seu imaginário, um motel era uma espécie de transacção pague-leve como se estivesse numa qualquer fila de um supermercado.

- Eduardo, você já foi alguma vez ao Motel Meiembipe?

- ….. (tosse)

- Está me ouvindo? Você fuma demais, está sempre com essa tosse! Já foi?

- ….duas ou três vezes…não me lembro bem.

- Estava bêbado, né? Nem lembra mais quem comeu lá? Safadinho….

- Já sabes como é….

- Qual a suite que vamos escolher? Você tem alguma favorita?

- … (silêncio)

- VOCÊ ESTÁ DORMINDO, PORRA! Nem pensa nisso não! Eu estou aqui toda fogosa. Vai ter de me comer! E muito…

- (riso nervoso) Não estou a dormir! Estou a ver se não deixamos passar a saída para o motel…

- Porra, você está bêbado pá caramba! Ainda estamos bem longe. Pode ser a suite Moçambique?

- È muito caro?

- UÉ, VOÇE VAI-ME COMER E ESTÁ CONTANDO O DINHEIRO. Não dá para acreditar.

- Não é isso, é que eu não quero pagar com o visa…

- Qual é o problema! Você disse que era solteiro! Quem é que vai ver sua conta do visa?

- … (tosse)…è que eu conheço a minha gestora de conta. Dá mau aspecto.

- Também anda comendo ela? Vamos para a suite Moçambique, está decidido! Quero que você me coma no Jacuzi…

O Eduardo não respondeu. Observava a estrada SC 401 em direcção a Canasvieiras. No trevo de saída para Cacupé entrou em Saco Grande. O nome da terreola era na verdade apropriado para o acolhimento de tão afamado empreendimento hoteleiro. Eduardo pensou para consigo – “ Espero que o meu saco seja mesmo grande ou estou lixado com esta tipa”. Ao fundo descortinou o letreiro “ Motel Meiembipe”. Era agora ou nunca. Tinha chegado a sua hora de entrar num novo mundo. Enquanto olhava para baixo murmurou – “Força, companheiro.”

Na entrada da recepção, Eduardo olhou pelo vidro do lado de Helena e não viu ninguém. Apenas um intercomunicador na parede e uma pequena ranhura. Helena pediu – “ Queríamos a Suite Moçambique, por favor”. A cancela levantou-se por milagre e o carro avançou pelo caminho ajardinado.

De repente, Eduardo observa um carro fazendo marcha a trás de forma a conseguir atinar com o caminho. Um estrondo. O sujeito tinha batido na parte da frente do carro. E as manobras continuavam. O homem completamente alcoolizado não conseguia escolher o apartamento. Por sorte, o bêbado lá consegui enfiar o carro na garagem. Eduardo ainda consegui ver a porta da garagem a fechar e a destroçar-lhe a bagageira. Quase que sorriu perante a situação mas reparou em Helena a vociferar ao seu lado. Por momentos, ele pensou que ela o ia despir ali mesmo. Tinham passado quinze minutos desde a entrada no motel.

Saíram ambos da garagem em direcção á suite Aquele trajecto do carro até à cama parecia incómodo. O Eduardo não sabia como se comportar. Entraram no quarto e ficou silêncio constrangedor. Eduardo ficou de pé ao lado da cama. – “ E agora, o que é que faço? Pulo em cima dela e acabo já com isto? Espero que ela me ataque? Enfio-me na casa de banho e invento uma dor de barriga? Porra, ela tinha mesmo essa cara ao jantar? Porquê é que não põem mais luz na porcaria das discotecas…” – pensava o Eduardo de forma desordenada e ansiosa. Helena finalmente quebrou o silêncio. “ Vou tomar uma ducha, meu bem”- exclamou com uma voz melosa.

Eduardo sentou-se na cama e pode finalmente observar o quadro. Uma mesa para dois. Um balcão bar tipo americano. Quadros a preto e branco com fotografias de um erotismo suave. Uma banheira de hidromassagem semelhante a uma pequena piscina interior com um colchão de agua estrategicamente colocado ao lado. A cama, essa pelo menos não era redonda. E uma pequena lareira que mais parecia um forno.

“ Uma lareira num motel no Brasil. Estes tipos estão doidos. Será que pensam que vamos fazer um churrasquinho a seguir.” – pensou com um sorriso na cara.

Na verdade, parecia mais o apartamento de sonho de  qualquer solteirão de cinquenta anos do que um verdadeiro quarto de motel. Na era isto que o Eduardo imaginará.

Nada na suite indicava gritantemente um certo erotismo forçado. Não havia paredes pretas, lençóis vermelhos e detalhes em metal – tipo correntes penduradas da parede. Nem um pormenor sadomasoquista. Nem uma cortininha fofa de renda e laços de cetim se encontrava na suite. Nem sequer uma pequena cascata a correr para a banheira de hidromassagem. Nada que pudesse apelar aquela imagem de luxúria e lasciva de sentir a água caindo entre pedras no meio de um quarto do lado de uma cama.

De repente a voz de Helena fez-se sentir, lembrando a Eduardo que ele não estava sozinho naquela suite. “ Liga a Hidro, meu amor” – gritou ela da casa de banho.

O Eduardo ficou a olhar para os comandos da banheira. “Esta historia da banheira de hidromassagem é igual em todo lado do mundo -  Oh, uma banheira de hidromassagem! Temos que fazer sexo nela imediatamente ! Será que ninguém pura e simplesmente utilizava aquilo para tomar banho”- meditou o Eduardo. Lembrou-se imediatamente de por quantas quedas já tinha passado por causa daquela maldita obsessão globalizada. Ainda tinha um dente da frente torto por causa destas acrobacias. “Estas tipas pensam que um gajo faz parte do Cirque du Soleil” – resmungou. Olhou para os imensos comandos da banheira. “Estou lixado. Como é que esta porcaria se liga? – rezingou baixinho. Eduardo pensou que já tinha afirmado ter lá estado pelo menos duas vezes. Ela ia descobrir que ele mentira. Mexeu num botões e torneiras que lhe pareceram óbvios e respirou fundo esperando o resultado. Mas nada. A água corria mas a banheira não enchia.

- Helena, a banheira esta estragada. Não está a encher.

- Pô cara, você verificou se a tampa do ralo está colocada?

- …(silêncio)

- Você me ouviu? Estou toda bimbada e pronta. Essa porra já está a ferver…eu já estou!

- Isto é o efeito do álcool! Já esta a encher!

Eduardo pensou o quanto burro se podia ser nestes momentos. A merda do ralo. Quem é que se ia lembrar disso com uma ninfo a pressionar-nos. Nenhum doutoramento prepara uma pessoa para estas situações.

Isto estava a dar-lhe cabo dos nervos. Sentia um frio na barriga. Olhou para baixo em direcção do seu companheiro destas lutas. Nada. Nem um espasmo.“Porra. Não me falhes agora. Esta tipa mata-me aqui.” – matutou de forma preocupada. Nesta altura Helena saiu da casa de banho. Tal e qual, como veio ao mundo. Um corpo magnifico. O problema era a cara, mas que se lixe. Lembrou-se das palavras sábias do seu amigo Joaquim – “ Meu amigo, ás vezes por uma má cara perde-se um bom cú”. O tipo tinha razão. O meu companheiro acordou subitamente da sua letargia mórbida. Helena entrou na hidro e exclamou:

- Vêm meu bem. Quero gozar muito…

- Ai vou eu…

- Traz a camisinha!

- Qual camisinha?

- Você não tem camisinha?

- Não! Mas para quê? Para usar na hidro? Essa porcaria já vem com bóias agora?

- Tontinho! Deixa que eu ligo para a recepção…

Helena ligou para a recepção e requisitou: – “ Boa noite. Você podia nos arranjar camisinhas com sabor a morango”. Eduardo ficou preocupado. Ela usou a palavra no plural. Camisinhas. Quantas é que ela quereria? Quatro, cinco…dez. Estava lixado. E ainda por cima com sabor a morango. “Estas vegetarianas são do pior. Não comem carne de maneira nenhuma.”- cogitou.

E de repente um pequena batida num postigo na parte exterior da suite. È engraçado pedir algo num motel. Nessa altura entra em cena aquela figura funesta e enigmática, o empregado incorpóreo dos motéis. Somente uma mão comprova que ele é realmente humano. O local de onde aparece o requisitado é semelhante aquele portinhas das celas da solitária, que vemos nos filmes sobre prisões.

Com os preservativos na nossa pose começou a decorrer o nosso primeiro round. Satisfatório. Até que a Helena interrompeu subitamente. “Estes preservativos estão estragados. Vou telefonar para a recepção”- exclamou peremptoriamente.

- Sou Edson, gerente do motel, posso ajudá-la?

- O preservativo está estragado. Tem outra marca?

- Só trabalhamos com essa, pois é conceituada.

- Meu amor, vem aqui na suite que eu te explico.


Tocou a campainha. A cena que se seguiu foi cómica e trágica. A Helena enrolada na toalha reclamava:


- Os preservativos estão estragados, pô!

- Qual é o problema?

- O gosto está diferente.

- …(silencio estupefacto)

- Ah, você não acredita? Vem cá, Eduardo!

Surgiu o Eduardo com um preservativo já colocado.


-Quer experimentar!

- Eu mando entregar imediatamente uma série de novas marcas minha senhora!


O gerente saiu rapidamente. Na economia de motel, o cliente sempre tem razão. A Helena tinha dado uma lição de economia. Para o Eduardo, ele já tinha cumprido a sua obrigação. Estava safo. Deitou-se na cama ainda molhado. Tentou ligar a televisão.

- Como é que se liga esta porcaria?

- O comando está na gaveta ao lado da cama.

-Já encontrei. Ou você já trabalhou aqui como empregada ou é cliente habitual…

- Engraçadinho!

- Helena, você já pensou se alguém lava as mãos depois de fazer o amor para desligar a TV ou o ar condicionado? Devem estar milhões de embriões em potência somente no botão “OFF”…

- Se você não se calar com esse nojo eu meto no seu cú essa merda. Talvez você engravide…

-… (silêncio)

- Vamos dar mais uma trepadinha? Ou você vai ficar toda a noite fazendo zapping em filmes pornôs…

- È só por curiosidade!

-Taradão! Quer imitar? Olha eu aqui toda gostosa…topo tudo.

- Estou com fome…

- È isso ai. Vêm meu bem…

- FOME DE COMIDA, HELENA!

- …(sisuda) Têm aí o cardápio, cara!

Eduardo folheou o cardápio. Olhar para um cardápio de Motel pode ser uma experiência um tanto ou quanto estranha. De um lado temos, vinhos, queijo quente e hambúrguer; do outro preservativos, vibradores, gel lubrificante, cintas e ligas. Fica-se sempre na dúvida do que se vai comer!

- … (irónica) Já encheu sua barriguinha, meu amor! Será que agora pode me trepar?

- Acho que comi demais. Posso ter uma congestão…

- Você vai é ficar sem tesão para sempre se não me fizer gozar…

De repente, ouviu-se um grito lancinante vindo do corredor.

- Esse bordel é a casa do demo. Esta uma mulher morta aqui!

Eduardo saiu correndo da cama. Parecia-lhe ter percebido bordel do Nemo. Será que estavam a passar filmes infantis num bordel? Era uma desculpa tão boa como outra qualquer. No corredor estava uma camareira histérica em prantos.

- O que é que aconteceu?

- Está uma menina morta no banheiro da Suite Canasvieiras. Está lá na hidro, durinha boiando, eu vi!

Passo a passo, Eduardo entrou na suite. Perscrutou toda a área, que se encontrava exemplarmente em ordem. Sem marcas de luta, violência ou de sangue. Dirigiu-se para a área de hidromassagem e viu que havia algo flutuando na banheira. Acendeu a luz e começou a analisar. E de repente começou a rir-se desalmadamente. O pessoal do motel pensou que ele estava em estado de stress pós-traumático. Mas não era. O cliente anterior tinha deixado uma boneca insuflável boiando com a cara para baixo na banheira e tinha deliberadamente despejado Ketchup na água para dar a impressão de sangue. Havia tipos tarados, mas pelo menos tinha-se divertido mais do que ele. Eduardo voltou ao quarto.

- O que se passou?

- Historias de motel…vamos a isto gostosa…

- O que quer que tenha acontecido….foi bom.

Ambos estão nus; Eduardo sentado na beira da cama e Helena de pé, caminhando na sua direcção. No momento em que ela se aproxima, Eduardo agarra-lhe as nádegas e instintivamente a puxa para cima de si. Neste momento singular,  ela, sem controlo algum sobre seu esfíncter, defeca em cima de todo o quadril de Eduardo. Helena correu para a casa de banho.

- Mas que porra é esta?

- Desculpa, meu bem. Comi um chocolatinho enquanto esperava por você…

- Não acredito nisto.

Enquanto tomava banho, Eduardo reparou que Helena tirava um sabonete da sua própria mala para tomar o seu duche.

- Você tem aqui gel de duche. Podes usar, já que o vais pagar. Agora andas com sabonete na mala?

- È o sabonete que uso em casa. Assim meu marido não desconfia…o cheiro é igual…

- TU ÉS CASADA!!!

- Não se faz de bobo! Claro que sim! E também costumo entornar um pouquinho de cerveja na camiseta para ele pensar que eu estou meio grogue…

- A gente vê-se por ai…

- Vai embora? Você não tem carro…

- Apanho um táxi. Eu pago há saída…

Eduardo dirigiu-se a pé para a recepção. O cheiro continuava no seu nariz. Quando chegasse a Lisboa tinha de ir a um psicólogo. Estas coisas podem ficar no inconsciente. E ele gostava de poder continuar a fazer sexo. Mas tinha que apagar aquele cheiro da sua memória.

- Boa Noite. Queria pagar?

- Ué, vem a pé? Problema com o carro?

- Não, problemas com o cú.

- … (riso) A menina não quis dar a bundinha para você?

- Até deu demais…Quanto è?

- Cento e quarenta reais.

- Mas o preço era de setenta reais por três horas.

- Está esquecendo os extras, cara!

- È verdade! Esqueci-me dessa merda. Não tenho aqui dinheiro que chegue…

- Não tem problema. Pode deixar seu celular como garantia.

- Você está maluco? E se alguém telefona? Você responde – Motel Meiembipe, boa noite. Esta querendo matar-me do coração?

- Agente desliga o aparelho…

- Não. Eu deixo a minha identificação e passo por  cá amanhã. Pode-me chamar um táxi?

- Tudo bem, cara.

Na saída do Motel, Eduardo ainda acenou para um carro pensando tratar-se do táxi. Engano. Não era o táxi. Era um carro particular.

- Vai para merda, seu Veado!

Veado e borrado. Que belo fim de noite. Lá consegui-o apanhar finalmente um táxi para o hotel. Estava a Carla na recepção. Conhecia Eduardo há anos das suas visitas a Florianópolis. Já tinham jantado juntos. Sem grande sucesso, diga-se de passagem. Mas era muito simpática.

- Boa noite, seu Eduardo. Se divertiu na balada?

- Você nem imagina…

- Quer que o acorde para o pequeno-almoço?

- Deixe estar, estou enjoado…

- Durma bem.

Já no seu quarto de hotel, Eduardo olhava para a baia de Florianópolis. Pensava no sucedido. Se você nunca sentiu tesão num motel quando não se aguentava de vontade e tinha que extravasar, pode ser que tenha frequentado motéis ruins, ou apenas frequentado amantes ruins.

E não é que ele tinha apanhado com os dois…

Music : Eagles “ Hotel Califórnia”